Incêndio Classe B: líquidos inflamáveis e qual extintor usar
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Incêndio Classe B: líquidos inflamáveis e qual extintor usar

Gasolina, álcool, solventes e tintas exigem atenção redobrada: entenda como se comportam os incêndios Classe B, qual extintor utilizar e por que a água em jato direto pode agravar a ocorrência

Dicas e cuidados

02.11.2026 - 14:00:00 | 10 minutos de leitura

Incêndio Classe B: líquidos inflamáveis e qual extintor usar

Os incêndios envolvendo líquidos inflamáveis representam riscos significativos para indústrias, postos de combustíveis, oficinas, depósitos e outros ambientes que armazenam ou utilizam substâncias combustíveis. Dependendo das condições, esses materiais podem favorecer a propagação rápida das chamas, colocando em risco pessoas, instalações e patrimônios.

Esse tipo de ocorrência é conhecido como incêndio Classe B e exige cuidados específicos, principalmente na escolha dos agentes extintores e na adoção de medidas preventivas.

Entender como esses incêndios se desenvolvem, quais materiais estão envolvidos e qual extintor utilizar é fundamental para evitar que um princípio de incêndio se transforme em uma emergência de grandes proporções.

O que é um incêndio Classe B?

Incêndio Classe B é aquele que envolve líquidos inflamáveis ou combustíveis, como gasolina, álcool, solventes, tintas à base de solventes e determinados óleos. A combustão ocorre principalmente na superfície do material, sendo alimentada pelos vapores liberados pelo combustível.
Diferentemente dos incêndios Classe A, que envolvem materiais sólidos como papel, madeira e tecidos, os incêndios Classe B não apresentam, em regra, queima em profundidade do combustível líquido.
Essa característica influencia diretamente a escolha dos agentes extintores, que precisam interromper a combustão sem provocar o espalhamento do material.

Qual é a diferença entre incêndios Classe A e Classe B?

A principal diferença está na natureza dos materiais envolvidos e na maneira como ocorre a combustão.
Nos incêndios Classe A, o fogo atinge materiais sólidos que podem queimar tanto na superfície quanto em profundidade, geralmente deixando resíduos, como brasas e cinzas.
Já nos incêndios Classe B, a combustão acontece principalmente na superfície de líquidos inflamáveis ou combustíveis, podendo se espalhar quando há derramamentos ou formação de vapores inflamáveis.
Por essa razão, o agente extintor adequado para uma classe de incêndio não será necessariamente indicado para outra.

Quais materiais podem provocar incêndios Classe B?

Diversas substâncias utilizadas em atividades comerciais e industriais apresentam características que exigem atenção quanto ao risco de incêndio.
Entre os principais exemplos estão:
• Gasolina: combustível que libera vapores inflamáveis e exige cuidados rigorosos durante armazenamento, transporte e abastecimento.
• Álcool etílico: presente em processos industriais, produtos químicos e operações de limpeza, dependendo de sua composição e concentração.
• Solventes e thinner: utilizados em indústrias, oficinas, pinturas e processos de fabricação, podendo apresentar elevada inflamabilidade.
• Tintas e vernizes: determinadas formulações contêm solventes inflamáveis que favorecem a formação de atmosferas perigosas.
• Óleo diesel: líquido combustível que pode alimentar incêndios, especialmente quando aquecido ou disperso.
• Óleos e lubrificantes industriais: dependendo da composição, da temperatura e das condições de operação, também podem representar risco de combustão.
A classificação Classe B também pode abranger outras substâncias, como gases inflamáveis, conforme o sistema de classificação adotado. Neste artigo, o foco está nos riscos envolvendo líquidos.

E os óleos e gorduras utilizados em cozinhas?

É importante diferenciar os líquidos inflamáveis utilizados em atividades industriais dos óleos e gorduras submetidos a altas temperaturas no preparo de alimentos.
Incêndios envolvendo óleos e gorduras em equipamentos de cocção são tratados como Classe K, que exige agentes extintores específicos para esse tipo de aplicação.

Por que os incêndios Classe B podem se espalhar rapidamente?

Uma das principais características dos incêndios Classe B é a possibilidade de propagação das chamas pela superfície dos combustíveis e pelos vapores inflamáveis presentes no ambiente.
Quando um líquido inflamável é exposto a uma fonte de ignição, seus vapores podem entrar em combustão. Dependendo das características da substância e das condições do local, o fogo pode se desenvolver rapidamente.
Alguns fatores aumentam esse risco.

Formação de vapores inflamáveis

Determinados líquidos liberam vapores capazes de formar misturas inflamáveis com o ar. Esses vapores podem alcançar fontes de ignição, mesmo quando elas estão afastadas do ponto onde o produto está armazenado.

Vazamentos e derramamentos

Quando um líquido combustível se espalha pelo piso ou por outras superfícies, a área exposta pode aumentar, favorecendo o desenvolvimento e a propagação das chamas.
Vazamentos próximos a canaletas, tubulações e sistemas de drenagem também exigem atenção especial.

Presença de fontes de ignição

Faíscas elétricas, superfícies aquecidas, equipamentos inadequados e operações que produzem calor podem provocar a ignição de atmosferas inflamáveis.
A eletricidade estática também precisa ser considerada em determinadas operações de transferência e movimentação de líquidos.

Armazenamento inadequado

Recipientes incompatíveis, falhas de vedação, ausência de ventilação apropriada e armazenamento próximo a fontes de calor podem aumentar a probabilidade de acidentes.
Em instalações industriais, a combinação desses fatores pode resultar em ocorrências que ultrapassam rapidamente a capacidade de combate com extintores portáteis.

Qual extintor utilizar em incêndios Classe B?

A escolha do extintor Classe B deve considerar o combustível envolvido, as características do ambiente, a capacidade extintora do equipamento e os riscos associados à operação.
Entre os agentes mais utilizados estão o pó químico seco, o dióxido de carbono (CO₂) e a espuma apropriada para líquidos inflamáveis.

Extintor de pó químico seco (PQS)

O extintor de pó químico seco é uma das alternativas utilizadas no combate a princípios de incêndio Classe B.
Sua atuação ocorre principalmente pela interrupção da reação química em cadeia responsável pela combustão.
Existem diferentes classificações desse equipamento:
• Pó químico BC: indicado para incêndios das classes B e C, conforme sua identificação e capacidade extintora.
• Pó químico ABC: indicado para incêndios das classes A, B e C, oferecendo versatilidade em ambientes com diferentes tipos de materiais combustíveis.
Embora seja eficiente em princípios de incêndio compatíveis com sua classificação, o pó químico não elimina necessariamente o risco de reignição quando o combustível permanece aquecido ou exposto a novas fontes de ignição.
Conheça os extintores de pó químico Classe BC da CM Couto.

Extintor de CO₂

O extintor de dióxido de carbono (CO₂) também pode ser utilizado em princípios de incêndio Classe B, desde que possua a classificação adequada.
O agente atua principalmente pela redução da concentração de oxigênio na região de aplicação. Por não deixar resíduos, também é utilizado em determinadas aplicações com equipamentos elétricos energizados.
Entretanto, sua eficácia depende das condições do ambiente. Em áreas abertas ou com circulação intensa de ar, por exemplo, a dispersão do gás pode comprometer a extinção.
Além disso, o CO₂ apresenta riscos de asfixia em ambientes pouco ventilados, exigindo cuidados específicos.

Extintor de espuma

A espuma é uma importante alternativa para o combate a incêndios envolvendo líquidos inflamáveis, especialmente quando a aplicação requer cobertura da superfície do combustível.
Sua atuação pode ocorrer por diferentes mecanismos, como:
• Formação de uma camada de espuma sobre o líquido.
• Redução da liberação de vapores inflamáveis.
• Separação entre o combustível e o ar.
• Auxílio no resfriamento, conforme as características da solução e da aplicação.
A composição do agente precisa ser compatível com o combustível presente.
Em aplicações com determinados solventes polares, como alguns álcoois, podem ser necessários agentes específicos resistentes ao álcool (AR).
É importante destacar que nem toda espuma é adequada para qualquer líquido inflamável. A seleção deve considerar as características do produto, a aplicação e os requisitos do sistema de proteção.

Pode usar água em incêndios Classe B?

A água aplicada em jato direto não é indicada para combater derramamentos de líquidos inflamáveis em chamas.
Em determinadas situações, o impacto do jato pode movimentar o combustível, espalhar o líquido incendiado e ampliar a área atingida pelo fogo.
Esse risco é especialmente importante em ocorrências envolvendo combustíveis que não se misturam com a água, como gasolina e diversos óleos.
É necessário diferenciar o uso direto de água sobre o combustível das técnicas profissionais que empregam água em aplicações específicas, como o resfriamento de equipamentos e estruturas expostas ao calor.
Essas operações dependem de avaliação técnica, equipamentos apropriados e profissionais capacitados.
Portanto, para princípios de incêndio Classe B, deve-se utilizar um agente extintor com classificação compatível, respeitando as orientações de segurança e as condições reais da ocorrência.

Como prevenir incêndios Classe B?

A prevenção deve começar pela identificação dos materiais combustíveis e das condições que podem favorecer sua ignição.
Em empresas que armazenam, transportam ou manipulam líquidos inflamáveis, é essencial estabelecer controles adequados aos riscos existentes.
Entre as principais medidas preventivas estão:

1. Armazenar corretamente os produtos

Utilizar recipientes adequados, identificados e compatíveis com cada substância, respeitando as condições de armazenamento previstas nas orientações técnicas aplicáveis.

2. Controlar as fontes de ignição

Evitar chamas abertas, faíscas, superfícies excessivamente aquecidas e equipamentos elétricos inadequados em áreas com risco de formação de atmosferas inflamáveis.

3. Garantir ventilação apropriada

Adotar soluções de ventilação compatíveis com as características das substâncias manipuladas e com as condições das instalações.

4. Prevenir vazamentos e derramamentos

Inspecionar recipientes, tubulações, conexões e equipamentos, além de estabelecer procedimentos seguros para contenção de vazamentos.

5. Disponibilizar equipamentos de combate adequados

Os extintores e sistemas de proteção precisam ser selecionados de acordo com os riscos identificados, permanecer acessíveis e ser submetidos às inspeções e manutenções aplicáveis.

6. Capacitar as equipes

Treinamentos e procedimentos de emergência contribuem para que os colaboradores reconheçam situações de risco, acionem os recursos corretos e adotem medidas seguras.

O que a NR-20 estabelece sobre líquidos inflamáveis?

A Norma Regulamentadora nº 20 (NR-20) estabelece requisitos de segurança e saúde no trabalho com inflamáveis e combustíveis, abrangendo atividades como armazenamento, transferência, manuseio e processamento dessas substâncias, conforme seu campo de aplicação.
Entre os aspectos abordados estão a identificação de perigos, a avaliação de riscos, a prevenção de acidentes e a preparação para emergências.
A aplicação da NR-20 deve ser considerada em conjunto com as demais exigências legais e técnicas pertinentes à instalação.
Consulte a NR-20 no site oficial do Ministério do Trabalho e Emprego.

O que fazer em caso de incêndio Classe B?

Diante de um incêndio envolvendo líquidos inflamáveis, a prioridade deve ser sempre a proteção das pessoas.
Ao identificar uma ocorrência:
1. Acione imediatamente o alerta de emergência e os procedimentos previstos para o local.
2. Afaste as pessoas da área de risco, utilizando as rotas de saída seguras.
3. Acione o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193, informando o tipo de ocorrência e, se conhecido, o produto envolvido.
4. Não utilize água em jato direto sobre o combustível em chamas nem tente movimentar recipientes expostos ao fogo.
5. Não tente combater o incêndio sem capacitação. Somente pessoas treinadas, diante de um princípio de incêndio controlável, com equipamento adequado e rota de fuga segura, devem considerar uma intervenção inicial.
Se houver propagação rápida das chamas, fumaça intensa, vazamento contínuo ou qualquer dúvida sobre a segurança, a orientação é abandonar a área e aguardar as equipes especializadas.
A tentativa de combater um incêndio com recursos inadequados pode agravar significativamente a emergência.

A importância de equipamentos adequados e equipes preparadas

A proteção contra incêndios Classe B não depende apenas da presença de extintores.
Em instalações com armazenamento ou processamento de líquidos inflamáveis, a segurança pode exigir a integração de diferentes recursos, como sistemas de detecção e alarme, equipamentos portáteis, sistemas fixos de combate, soluções com espuma e planos de resposta a emergências.
O dimensionamento dessas medidas precisa considerar as características do combustível, os cenários de risco e os requisitos técnicos aplicáveis.
Além disso, a capacitação de brigadas e equipes responsáveis pela resposta inicial é fundamental para garantir procedimentos seguros.
A CM Couto Coutoflex oferece um portfólio de extintores de incêndio, Líquidos Geradores de Espuma (LGE) e componentes para sistemas de combate a incêndio.
Também disponibiliza serviços especializados de engenharia, treinamentos e manutenção no estado do Rio de Janeiro.

Conclusão

Os incêndios Classe B exigem atenção especial devido às características dos líquidos inflamáveis e combustíveis, à possibilidade de formação de vapores e ao risco de propagação das chamas.
Compreender esses fatores é essencial para prevenir acidentes e selecionar os agentes extintores adequados.
Mais do que disponibilizar equipamentos, a segurança depende de medidas preventivas, manutenção, capacitação e planejamento compatíveis com os riscos de cada ambiente.
Investir em prevenção é proteger vidas, preservar patrimônios e contribuir para a conformidade das instalações.

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